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MPF/MS: Índios denunciam ameaças de agressão em Coronel Sapucaia

última modificação 29/11/2010 10:00

Indígenas ocupam área com autorização da Justiça. MPF repassou as informações para que a Polícia Federal investigue.

O Ministério Público Federal (MPF) em Ponta Porã recebeu denúncia sobre supostas ameaças contra os 130 indígenas da comunidade indígena Kurussu Ambá, localizada entre os municípios de Amambai e Coronel Sapucaia, fronteira do Brasil com o Paraguai. Os índios da comunidade denunciam que pistoleiros estariam ameaçando retirá-los à força de área reivindicada por eles como tekoha (terra sagrada), dentro da fazenda Nossa Senhora Auxiliadora.

Segundo a denúncia, em 23 de outubro um grupo de pessoas teria estacionado um veículo na entrada da propriedade e feito ameaças contra a comunidade. As ameaças, segundo os indígenas, aumentaram após o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) ter suspendido a decisão liminar de reintegração de posse em favor dos proprietários da fazenda.

O MPF, por meio do procurador da República Luís Cláudio Senna Consentino, enviou as informações à Polícia Federal (PF) de Ponta Porã, solicitando que sejam tomadas as medidas necessárias para que se apure o ocorrido. O objetivo é facilitar a coleta de dados sobre o caso, além de conter o clima de tensão no local e evitar a ocorrência de outros incidentes.

O primeiro passo para demarcação da terra indígena Kurussu Ambá já foi dado. O estudo antropológico das terras encontra-se em estágio avançado e tão logo finalizado será enviado para a Fundação Nacional do Índio.

Histórico de violência

Expulsos da Aldeia de Taquaperi, no final de 2006, 50 famílias (cerca de 150 indígenas guarani-kaiowá, sendo 70 crianças e 18 bebês), acamparam na entrada da fazenda Madama, segundo eles, antigo tekoha (terra sagrada). O acampamento da comunidade Kurussú Ambá ficava as margens da na rodovia BR 163, que liga Amambaí e Coronel Sapucaia, a 394 km de Campo Grande. Na primeira tentativa de retomada, em janeiro de 2007, uma liderança indígena (Xurete Lopez) foi assassinada a tiros.

Em junho de 2007, dois assassinatos. O líder Ortiz Lopes foi assassinado por um pistoleiro na presença da mulher e das duas filhas. Em ambos os casos ninguém foi preso.

Em outubro de 2009, os indígenas ocuparam o território reivindicado, que fica dentro da fazenda Maria Auxiliadora. Eles se abrigaram em um pequeno pedaço de mata, onde estão até hoje.

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