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Pesquisadores alertam sobre os riscos de agrotóxicos na saúde da população

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última modificação 04/12/2015 14:56

Brasil é considerado “lixeira tóxica” na produção de alimentos. Dos 50 defensivos mais utilizados no país, 22 são proibidos na Europa.

Pesquisadores alertam sobre os riscos de agrotóxicos na saúde da população

Evento aconteceu no auditório do MPT, em Campo Grande. Foto: Nathaly Feitosa - Ascom MPF/MS

No Dia Mundial de Combate aos Agrotóxicos (03/12), os Ministérios Públicos Federal e do Trabalho realizaram evento em Campo Grande para alertar a população sobre os riscos da utilização de defensivos agrícolas. Pesquisas apontam prejuízos ao meio ambiente e danos (imediatos e crônicos) na saúde de trabalhadores e consumidores,  tanto pela ingestão, quanto pelo contato com os agrotóxicos.

De acordo com o Dossiê da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), lançado no evento, 70% dos alimentos no país estão contaminados por agrotóxicos. Entre 2007 e 2014, foram mais de 34 mil notificações por intoxicação nos hospitais públicos e, de 2000 a 2012, o uso de agrotóxicos cresceu 288% no Brasil. 

“Câncer, suicídio, intoxicações... são muitos os danos já identificados em pesquisas pelo consumo e contato com agrotóxicos. A grande dificuldade é provar o nexo causal, já que as consequências do uso indiscriminado de defensivos surgem 10, 20 anos após a exposição dos trabalhadores”, ressalta Cléber Folgado, da Universidade Estadual de Feira de Santana, na Bahia.

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Cleber Folgado, um dos pesquisadores da Abrasco. Foto: Nathaly Feitosa - Ascom MPF/MS

Para o procurador do Trabalho, Leontino Ferreira de Lima Junior, “a sociedade tem o direito de ter acesso à informação, de saber exatamente o que está consumindo e quais são os riscos colocados na mesa do consumidor e de suas famílias”. 

Lixeira tóxica

Em Mato Grosso do Sul, o agronegócio potencializa a exposição aos agrotóxicos e a fronteira seca com o Paraguai facilita o contrabando de defensivos. A situação é agravada pelo despreparo dos profissionais de saúde em identificar a correlação entre as doenças e o uso dos agrotóxicos, o que dificulta o dimensionamento dos impactos. 

Na visão do pesquisador Cléber Folgado, o agronegócio produz mercadorias, enquanto a agroecologia põe comida na mesa. “Não é preciso de agrotóxicos para produzir comida. Há centenas de pessoas morrendo no campo sem saber o porquê.”

De acordo com a Abrasco, dos 50 agrotóxicos mais utilizados no Brasil,  22 são proibidos na União Europeia. Pelo alto consumo dos defensivos, o Brasil é considerado uma “lixeira tóxica”. Contudo, na visão de Alberto Feiden, pesquisador da Embrapa Pantanal, é possível mudar esse quadro. “É uma falácia dizer que é impossível produzir alimentos sem produtos químicos. Há como substituir os agrotóxicos por sistemas de manejo, um resgaste de práticas tradicionais em prol do reequilíbrio do meio ambiente”.

O Dossiê Abrasco está disponível em versão on-line no endereço: http://abrasco.org.br/dossieagrotoxicos.

 

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